Quando vês

Quando vês
Não sou de falar muito de mim por aqui mas se não fizer sentido aqui, onde é suposto eu falar da minha marca, como é que me podem conhecer e perceber como penso, vivo e me guio?
Se falar de mim incomoda muita gente, não sei, mas alguma sei que sim. Sobretudo o meu eu antigo. O meu eu que deixou que outras pessoas decidissem por mim, fizessem por mim, não me escutassem e de certa forma se tenham aproveitado de mim.
Isto de chegar a uma idade, ter menos tolerância, as coisas ficarem mais claras e os fretes caírem por terra, não é um mito. Sobretudo se tudo à volta for só fachada. Uma fachada construída à tua volta, só que tu nem a viste chegar.  Ficaste ali nos teus pensamentos e preocupações, que ficaste encurralada. Mas de repente, questionas, sentes-te incomodada, não és validada. Não sabes do que te queixas. Mas queixaste e incomodas, mais aos outros do que a ti. Queres falar, mas não és escutada. Só que a tua voz já não fica muda em pensamentos, ela agora já não está encurralada, ela vê. E aí, quando começas a querer ver de verdade, vês. E o que vês, já não dá para deixar de ver, mas não gostas do que vês, não sabes o que vai ser, o que fazer, mas sabes que os teus valores falam mais alto, que não te podes negar a ver o que viste, sabes que viste mesmo que mais niguém te diga que não era bem isso que devia ter sido visto. Que o que viste era um engano. Mas tu viste, sentiste e validaste. Só sabes que a ação chama por ti. Sabes que vai doer, só não sabes quanto, nem por quanto, mas só sabes que vês. E quando vês, isso pode ser o que baste para saber que não é isso que queres, nem nunca teria sido, se tivesses visto.
Agora vês, com a alma, o coração, o tato e o olfato, vês com os ouvidos, as mãos e os olhos. Mas vês, sobretudo, com a tua voz que não se deixa calar.
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